terça-feira, 4 de dezembro de 2007

O super-poder da comunicação

por Chico Lúcio e Adriana Lima

“Quem não comunica, se trumbica”. A citação de Abelardo Barbosa, o grande Chacrinha, permanece atualíssima e cada dia mais verdadeira. Quando o saudoso “Velho Guerreiro” falou isso, certamente já antevia o panorama alucinante que marcaria a história da comunicação, principalmente com o advento da world wide web (internet), há 11 anos atrás. O cenário virtual e o mundo na tela do computador trouxeram uma verdadeira revolução ao ato de comunicar. Tudo é rápido, mais ainda, instantâneo. Isso veio corresponder ao conceito vigente hoje nos meios de comunicação, aquele famoso “é pra ontem”. Sem dúvida, a internet se transformou numa ferramenta indispensável e extremamente útil nesta engrenagem imediatista.

No mundo moderno (em constante mutação), regido pela velocidade do pensamento e da informação, o avanço tecnológico e a virtualidade geraram uma nova cultura voltada para o consumo de bens materiais e imateriais, assim como uma atitude humana voltada para o imediatismo. Outro importante aliado da comunicação é o aparelho celular que, muito além de ligar as pessoas, trouxe também multifunções que agregaram novos valores a esta ferramenta. Vieram os notebooks e a comunicação não escolhe mais lugar para acontecer e ser registrada em milhões de teclados.

Basta um clique e ela sai voando até o seu destino. A cena digital nos trouxe o e-mail e os programas de mensagens instantâneas (blogs, orkuts, chats, etc). Tudo para romper as barreiras espaço-temporais. Se é que ainda existem barreiras na comunicação.

A jornalista Viviane Pascoal Dantas, em artigo publicado no site Observatório da Imprensa, adverte que o mundo virtual é altamente ambíguo. “Ao mesmo tempo em que visa romper barreiras, cria outras de cunho social, na medida em que todos têm acesso ao aparato tecnológico necessário. Ao mesmo tempo em que conecta virtualmente pessoas do mundo inteiro, acaba por afetar as relações pessoais cotidianas. Até pouco tempo, conversar com um amigo significava estar ao seu lado, olhar nos seus olhos e desfrutar do prazer de sua companhia. Hoje basta um toque no celular, um e-mail, um chat ou mensagens instantâneas. Certamente que, diante de todos estes meios, a linguagem sofre alterações e a mensagem pode fugir de seu contexto original. Assim a nova informação invade as ruas das cidades, a casa das pessoas, as relações comerciais, sociais e, principalmente, humanas”.

O desafio da humanidade - ressalta a jornalista - é usar a máquina sem se tornar uma, embarcar no mundo virtual e extrair o máximo de seus benefícios, sem esquecer das riquezas do mundo real: a natureza, a arte, o cenário construído pelas mãos dos homens, o sorriso de um amigo, a boa e velha conversa olho no olho, o prazer de ser e estar com alguém, de embarcar numa boa leitura, de caminhar com as próprias pernas. “Enfim, entrar na onda sem deixar que a essência humana se perca na emaranhada teia da tecnologia. Porque quando se está desprovido de consciência crítica e valores essenciais, deixar-se consumir por essa teia é tão fácil e fascinante quanto embarcar nela”, observa.

Nada contra nada e, muito menos, contra este mundo que caminha em velocidade impressionante, sempre focado na mensagem que integra toda a civilização virtualizada. Então fica aqui, no rodapé deste texto, uma reflexão em dois tons diferentes sobre o poder da comunicação: um afirmativo, outro interrogativo. A conclusão é sua:
Basta um clique.
Basta um clique?

Publicado originalmente em http://www.revistameioemidia.com.br/

Um comentário:

Anônimo disse...

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